Não é incomum que os meios legais resultem ineficazes no confronto de situações de abuso de direitos. Percebendo a negativa aos pedidos de remoção de tweets com mensagens preconceituosas, o ativista Shahak Shapira resolveu escrever tais mensagens na frente da sede da empresa em Hamburgo, na Alemanha¹. A microtrend Cool Irreverence trata do poder da irreverência e da velocidade do compartilhamento dos atos praticados em nome da informação ou de conceitos importantes, com alto poder publicitário.

Muitas questões são levantadas quanto aos atos praticados em nome da defesa de direitos serem ilegais, ou até mesmo criminosos. Comumente, a visão liberal concede, em primeiro momento, o direito de tudo fazer, porém costuma condenar as expressões que vão além da ordem clássica manifesta. A democratização da desobediência civil traz à luz uma visão higienista das instituições², que usam a lei e o clamor pela ordem ao seu favor para evitar situações, como a causada por Shahak, tirando o poder da política simbólica.

Movimentar o judiciário, num processo que durará anos, contra uma empresa com uma provável excelente equipe jurídica, não parece o caminho mais eficaz. Foi o que o ativista fez: irreverente, quis que a empresa pudesse apreciar, tanto quanto toda a rede, as mensagens racistas, xenófobas, homofóbicas e misóginas, ao invés do sigilo dos meios legais. A publicidade do ato levanta questionamentos acerca da responsabilidade objetiva das instituições, oferecendo resistência não violenta contra crimes de ódio.

Paradigmas como Martin Luther King e Mahatma Gandhi mostram o quão simbólica a política de desobediência civil pode ser. A resistência não violenta contra abusos é legítima, sempre que ações resultarem continuamente ineficazes contra situações difusas, seja contra o Estado ou contra as demais instituições, ou até mesmo empresas privadas.

 

¹http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2017/08/ativista-pinta-tweets-preconceituosos-em-frente-ao-predio-do-twitter.html

² CELIKATES, Robert. Democratizing civil disobedience. Philosophy and Social Criticism. 2016, Vol. 42, p. 982–994

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