O comportamento feminino tem sido manchete nos últimos tempos, com o crescimento contínuo de movimentos sociais, que visam integrar a mulher como cidadã muito além do recente sufrágio universal e dos direitos civis em geral. Mais recente do que se pode imaginar, no Brasil, as mulheres puderam votar e ser votadas apenas em 1934, e somente em 1962, com a elaboração do Estatuto da Mulher Casada, estas puderam exercer todos os atos da vida civil, deixando de ser consideradas incapazes no casamento – condição de menores de idade, pródigos e silvícolas. Hoje, em países democráticos, é assegurado legalmente a condição de isonomia entre os sexos. Porém, há muito mais questões envolvidas na relação entre cidadania, gênero e poder. Nesse sentido, a macrotendência Female Up & Rising relaciona as modificações no comportamento das mulheres e a vontade de protagonizar papéis de poder, antes condicionados apenas a homens, quebrando estereótipos e lutando por maior integração em diversos escopos da sociedade e das relações.  

As mulheres continuam a enfrentar situações difíceis a fim de encontrar seu lugar no mundo. Foi assim para Iman Oubou, fundadora da plataforma Swaay Media. Miss NY 2015, graduada em Bioquímica mestre em Engenharia Biomédica e que, durante a busca por investidores, vivenciou situações constrangedoras, como convites para sexo como permuta pelo investimento e sugestões constantes de diversas pessoas para que usasse seu rosto e corpo ao invés de investir em sua ideia. Ironicamente, a Swaay existe hoje para promover a voz das mulheres, suas qualidades e competências na liderança de inovações, nos movimentos sociais e culturais.¹

A modernização do patriarcado ocorre através da aparente conquista de direitos – e que na prática não é demonstrada, pois os números comprovam as diferenças no trato entre homens e mulheres: a desigualdade salarial evidente, indo de 16% entre estagiários e trainees até 62% no cargo de consultor²; apenas 12% de mulheres em cargos de CEO no mundo (no Brasil são 16%)³; e na política nacional com  apenas 10% de representação.

Iman Oubou afirma que, mesmo conseguindo o investimento, precisou trabalhar 6 meses antes de conquistar o respeito e o capital do investidor – é situação comum para mulheres provarem sua competência. Na Swaay, teve a oportunidade de entrevistar mais de 300 mulheres que representavam inovação em seus respectivos campos de atuação. Ela acredita que é importante não adotar o perfil de vítima e, sim, usar o movimento feminista ao seu favor, pois há muitas mulheres na luta, em busca de empoderamento, afim de buscar portas para suas ideias, formando uma rede colaborativa.

Diante do Estado moderno, da democratização contínua e do contexto globalizado – que tanto permite a publicidade dos atos em todo o mundo quanto a generalidade dos problemas, inclusive na esfera de igualdade de gênero como uma das minorias que procuram isonomia social e a quebra contínua de paradigmas por mulheres que buscam mais do que apenas o direito ao protagonismo, mas sua realização efetiva, considerando que a primeira onda feminista ocorreu em meados do século XIX e precisou permanecer até hoje na busca desses espaços garantidos civilmente, porém ainda não conquistados com plenitude.

 

¹http://www.harpersbazaar.com/culture/features/a12015475/iman-oubou-miss-new-york-swaay-ceo/

²http://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/mulheres-ganham-menos-do-que-os-homens-em-todos-os-cargos-diz-pesquisa.ghtml

³http://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/so-16-dos-presidentes-de-empresas-no-brasil-sao-mulheres-diz-pesquisa.ghtml

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