A consciência ecológica pode ir além da reciclagem. Evidenciar a necessidade de promover medidas protecionistas, que entrem em consonância prática com a sociedade e a economia, significa que enfrentar a diminuição da biodiversidade, as mudanças climáticas e os danos ambientais exigem também propostas práticas e politizadas. A sugestão do Projeto holandês ECO COIN¹ é exatamente isso: o sistema financeiro a serviço da proteção ambiental. Ao invés de exigir que todos tenham atitudes sustentáveis sem contraprestações, transforma a sustentabilidade financiável, seja por grupos da sociedade civil, pela indústria ou pelo governo: um ponto de equilíbrio entre os valores sustentáveis e a economia. A implementação da ECO COIN vai além das necessidades morais individuais para ajudar o planeta ao tornar o valor ambiental explícito economicamente, assim como já é praticado com os Créditos de Carbono, negociados no mercado internacional, porém com maior amplitude, podendo atingir outros setores, de outras formas, através da criação de uma moeda.

Cuidar do meio ambiente é cuidar do futuro, além de ser um lifestyle. Visibilidade à causa ecológica é, sobretudo, permitir o envolvimento de todos de forma prática e objetiva, num passo além de cuidar do lixo doméstico, da reutilização de rejeitos industriais ou dos excertos do ciclo de consumo, atitudes importantes e responsáveis por parte da proteção efetiva do meio ambiente, mas que respondem apenas pela resolução de uma parte do problema. Menos romântico e na esteira do que representa as práticas sugeridas pelo Protocolo de Quioto, onde é previsto uma redução certificada das emissões de gases responsáveis pelo Efeito Estufa através de um mercado no qual se comercializam créditos, de funcionamento semelhante ao de uma bolsa de valores pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que funciona por um sistema de compensação².

Diferente do sistema de compensação do Protocolo de Quioto, que se efetiva através de lastro baseado no cálculo de Emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE), no qual as trocas cambiais são feitas a partir de certificados emitidos de acordo com delimitações nele expressas, por cada país ou organizações intergovernamentais, a ECO COIN é a proposta de uma moeda que, ao entrar no mercado, aumenta as possibilidades de permuta entre as partes e expande a possibilidade de envolvimento por outros grupos de pressão, visto que não fica restrita apenas a negociações entre nações e grandes indústrias poluidoras, ampliando o raio de ação e aumentando a possibilidade de participação de outros setores da sociedade.

O financiamento da ECO COIN é fundamentado no que chamam de taxa Robin Hood: um micro imposto bancário taxado nas transações internacionais, a serviço de interesses públicos, coletivos e difusos³. O desenvolvimento sustentável não deve negar nem se colocar a parte do mercado, mas utilizar suas ferramentas para ampliar a resolução de problemas, expandindo possibilidades de negociações e planos de ação capazes de criar um novo movimento prático calçado na economia internacional. O consumo sustentável e ecologicamente correto ainda é “consumo” e propor cuidar do ambiente que cerca o consumidor, sem esquecer a existência das trocas tácitas na relação, é um dos caminhos marcados pela macrotendência EcoSustainability.

¹https://www.nextnature.net/projects/ecocoin/

²http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2012/04/entenda-como-funciona-o-mercado-de-credito-de-carbono

³http://www.robinhoodtax.org/

 

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